Mudei; nessa segunda feira de junho

Eu decidi voltar a escrever. Talvez eu desista, mas por enquanto, eu DECIDI voltar a escrever. Eu sempre paro, meu sol em virgem me exige uma perfeição que atrapalha mais do que ajuda e meu ascendente em capricórnio me desmotiva com tanto pessimismo. Eu já começo me explicando porque eu decidi parar. Afinal, quem começa algo no meio do mês, e pra que ?

Mas eu gosto de escrever.

E eu preciso de um hobbie. Talvez eu volte a bordar ou pinte um quadro, já que eu estou planejando isso a muito tempo. Talvez eu só termine de pintar a parede do meu corredor. Talvez agora seja diferente, e eu termine tudo isso porque eu decidi mudar. Posso desistir de mudar também.

Mas eu decidi mudar.

Não sei se meu corpo ou minha cabeça que mais me pediram pra mudar, e hoje é o primeiro dia. Já comecei tudo diferente. Inclusive escrevi esse texto.

 

 

Crise dos 25

Quando eu tinha 19 anos, estava começando a faculdade. Acreditava que ali minha vida estava finalmente começando, mas não me sentia completa; então veio a Sofia e eu aprendi finalmente o que era amor e quanto amor eu tinha em mim! A Sofia me salvou de 19 anos de uma procura por um sentido, que até então, não havia encontrado nem sequer uma migalha dele. Porem, alem de todo esse amor, eu tinha 19 anos! Estava desempregada porque decidi focar na minha faculdade, que acabou sendo trancada. Era mãe solo e mal sabia cuidar de mim. Tive que me reinventar.

Com 23 anos me sentia perdida de novo. A Sofia me dava força pra ir atrás dos meus sonhos mas nada me protegia da realidade. Consegui finalmente ser estilista mas a realidade não era a mesma que eu sonhei nesses 13 anos desenhando roupinhas em todos os meus cadernos. Ganhava pouco, trabalhava muito. Desisti. Nesse momento me encontrava num estúdio de tatuagem na Oscar Freire, tentando aprender o que podia de um cara que dizia que eu devia ser manicure porque tatuagem era coisa de homem, com a promessa de ter mais tempo pra minha filha. Não foi o que aconteceu.

No mesmo ano deixei duas pessoas muito tóxicas se aproximaram de mim; uma delas, meu pai. Foi quando meu corpo e minha mente chegaram ao seu limite. Não conseguia mais andar de metro, não conseguia mais responder nem um whatsapp; não sabia como era ter uma semana sem uma crise de ansiedade, pânico ou choro. Comecei a ouvir vozes que me diziam o quanto a vida era melhor se eu desaparecesse e era isso que eu desejava todo dia, desaparecer…. E então; Lorenzo! Era hora de reinventar de novo.

Dei uma pausa.

Meu foco nesses últimos dois ano foi ficar bem. E apesar de alguns poucos baixos, me sinto tão bem, como nunca me senti antes. Minha mãe diz que eu comecei ao contrario, mas acho que deu certo pra mim, eu sempre fui diferente mesmo.

Em meio a essa crise dos 25, onde a gente jurava que já estaria rica com três viagens pela Europa, me vejo tendo que me reinventar de novo e parece que dessa vez, ainda mais perdida que antes. Tudo fica mais trabalhoso quando se tem dois filhos, todas as minhas escolhas refletem na vida de duas pessoas que eu sou mais do que responsável e apesar disso, é neles que eu acho minhas forças. O que me prende é também o que me impulsiona. A vida me deixou fria e eu achava que isso era ser forte. Hoje, repleta de mim, sei que consigo enfrentar tudo que vem e ainda chorar um pouquinho no final. O mundo te destrói, e só cabe a você manter a sua essência, que mesmo que inconstante (por conta do nosso crescimento e amadurecimento diário) é quem você realmente é. Eu respiro e penso : que bom que não sou a mesma de ontem mas ainda me sinto eu.

Olhando pra trás eu percebo que esses 25 anos foram uma junção de experiências e agora eu tenho oportunidade de sonhar novos sonhos. E sabe, tudo bem se amanhã eu mudar de ideia, os sonhos são desejos de algo que nos faça bem e se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos é que se algo te faz mal, não vale a pena deixar na tua vida.

Não importa quantas voltas a vida dá, quantos imprevistos apareçam e que saia tudo fora do planejado. Viver é se reinventar a cada dia e se encher da sua verdade. No final, dá tudo certo e quase sempre, faz mais sentido do que o que você tinha planejado.

 

 

 

La vie en rose

Era Janeiro, e diferente dos outros anos, eu não tinha aquela esperança que os começos de ano sempre me trazem. Um pouco depois do filme eu já tinha decorado seu jeito e suas manias que os (recentes) trinta e um anos haviam lhe dado. Ainda não sabíamos que teríamos manias só nossas.
A gente tinha assunto sem fim e até hoje, mas além disso, a gente sabe respeitar o silêncio do outro. Respeito é a palavra, além de compreensão, carinho e admiração. Nós viramos uma noite de histórias, risadas e olhares. E a partir disso nasceu nossa amizade.
O sentimento cresceu com o tempo, junto com o cuidado. E a gente precisava de mais, foi tudo naturalmente, e em pouco tempo eu já tinha uma escova de dente no seu banheiro e você já me incluía em todos os seus planos.


E então a gente decidiu ter nosso próprio lar e fazer do outro nosso lar. Um lugar pra fazer crescer nosso amor e viver da nossa rotina. 
Você me dá o que eu preciso pra realizar meus sonhos e eu faço o que for preciso pra te fazer sorrir. Você decidiu viver comigo todos os seus sorrisos, suas dores e seus abraços, e eu fiz de você minha paz. A gente briga rindo, e pede desculpa com o coração apertado, porque é difícil demais ficar longe.


Hoje, dois filhos e três gatos bastardos, vivem um lar com amor. Nosso amor, que floresceu e cresce cada dia mais. E na medida da felicidade possível, eu sou muito feliz, por poder te olhar dormindo e saber que você resolveu ficar, (do meu lado) por descuido ou poesia.


Eu te amo, e mesmo sem esperança, naquele janeiro, eu sou muito feliz por ter cruzado seu caminho, e por hoje trilhar ele junto com você.

 

5 dicas sobre morar sozinho

Resolvi fazer uma pequena lista de tudo que você deve pensar antes de sair de casa e durante. Infelizmente, eu aprendi tudo isso na prática, mas se você já esta planejando morar sozinho, é melhor se organizar pra não ser pego de surpresa em algumas situações.
Aqui vão algumas dicas:
.
1- Você vai gastar muito dinheiro só pra começar
Quando sai de casa para morar sozinha, eu já tinha um dinheirinho guardado mas achei que com ele ia começar a minha reserva, sonho meu! Você gasta com mudança (e essa talvez seja a pior parte), com depósito da casa, com os primeiros móveis. Se como eu, pegar o apartamento ou a casa do jeito que o outro morador deixou, bem, então vai ter que pintar tudo, e talvez tenha que trocar o chuveiro, arrumar mais algumas coisinhas, e essas coisinhas, olha .. é um pouquinho aqui e mais um pouquinho ali, quando perceber já vai ter ido embora uma boa quantia. Quando a gente mora com nossos pais, existe muita coisa que a gente acha que acontece com mágica, por exemplo, quando ganhei meu fogão, eu achei que ia sair cozinhando; demorou uma semana até eu comprar o botijão ( você compra o botijão que é muito caro e depois compra o gás dentro dele, fiquei pasma com essa informação) e as mangueiras do botijão, e ainda esperar uma pessoa ir lá instalar. Acho que esse tópico é longo, então depois faço um post só sobre o que você gasta e quanto ..
.
 2- Aprenda a controlar seus gastos
Pergunta pro seu pai e/ou pra sua mãe como eles controlam o dinheiro e aprenda! Essa é a parte mais difícil, fazer o dinheiro durar o mês todo. Comida é algo necessário, mas que gasta muito. Toda vez que você passar no mercado só pra comprar uma coisinha que falta, dê adeus pra no minimo R$50,00. Antes de me mudar, imaginava que com R$1400,00 eu passava o mês tranquila, coitada. Ser mão-de-vaca vira uma virtude!
.
3- Cebola e Alho é tudo !
Pode parecer piada, mas com esses dois ingredientes você tempera qualquer comida muito bem. Pique bem a cebola, amasse bem o alho (eu compro aqueles já triturados no mercado pois não aguentava mais viver com cheiro de alho nas mãos), coloque um pouco de óleo na panela, frite os dois e coloque o que quiser ali, depois acrescente sal a gosto. Molho, arroz, feijão … só no caso de carne, eu recomendo colocar o alho e a cebola direto na carne e depois fritar tudo junto.
.
4- Crie uma rotina de limpeza
Quando a louça virar um monstro dentro da sua pia será pior pra lavar. Acostume-se a lavar depois das refeições, vale mais a pena. Separe pelos menos dois dias da semana pra lavar roupas, se não, quando perceber, não vai ter uma meia na gaveta e ainda terá uma pilha de roupa enorme e aparentemente sem fim, e coloque essa frase na sua cabeça: tirou do varal, dobrou e guardou. Limpe a casa por partes, um dia tira o pó, outro dia limpa as janelas, no outro dá aquela esfregada linda nas paredes da cozinha .. essas coisas mais elaboradas é melhor separar por dia, deixar tudo pra um dia só acaba contigo. Varrer, passar pano no chão e coisinhas simples assim serão tarefas diárias, principalmente se você tem filho. O mais importante, não deixe a organização sair do controle, um dia que eu resolvo tirar “folga” é o suficiente para transformar minha casa numa cidade depois da guerra, do furacão e do terremoto, é serio!
.
 5- Você não vai ter a casa do Pinterest no primeiro mês
Esse é quase meu novo mantra! A gente salva mil fotos pensando que em um mês vai ter aquela casa dos sonhos que você vê no pinterest ou no tumblr por ai mas isso leva muito mais tempo que você imagina. Se for algo que precisa comprar, você não vai ter dinheiro. Se for um Diy, você não terá tempo para fazê-lo. É a realidade meus queridos, mas um mês compra uma coisa aqui, numa folga faz uma coisinha ali, e com o tempo tudo vai ficando mais com sua carinha. O problema é que a gente nunca fica satisfeito e sempre falta uma coisinha.
.
Esse tema de morar sozinho é a pauta principal aqui no blog, e num post ou outro vamos sempre tentando ajudar ou tirar as dúvidas de vocês, então se tiver alguma pergunta, comenta aqui embaixo que eu vou adorar te responder!

I Love Us

Entre uma risada e outra, eu paro pra suspirar nossa sorte em ter se encontrado nesse mundão. É engraçado como a gente começa a acreditar que as coisas são como tem que ser quando se sente desse jeito. Além do fato do destino, a gente decidiu assim: juntar nossa vida numa só.

Eu lembro de reclamar dessa necessidade de estar junto o tempo todo, eu não entendia. Mas você me ensinou que o amor não era nada do que eu tinha aprendido até ali. Sem cobrança, sem tristeza. Amor é aquela vontade de estar junto e ver outro feliz. É ser feliz junto. E compartilhar cada momento, cada historia, cada pedacinho nosso.

Desde a primeira conversa foi assunto sem fim. Tanto assunto, que a gente não tem mais historia pra contar; nós sabemos todos os nossos passos até aqui. Nosso amor veio da amizade e ela se mantém até hoje. A gente senta e conversa entre um café e outro. Nos conhecemos tanto que viramos previsíveis, e isso me dá uma paz sem fim, porque é fácil amar longe da rotina. A gente se ama ali, no dia a dia mesmo; com a bagunça da casa, a grana que nem sempre dá e um choro manhoso de criança. E no fim do dia a gente se abraça e respira fundo, aliviado por ter o outro ali.

E assim eu decidi começar nossa historia aqui, contando sobre o quanto a gente se diverte junto e a cumplicidade que nós temos. Nosso amor tá ai, na risada e na leveza que ela traz. Nosso amor é um suspiro aliviado por o outro existir e por nosso caminho ter se cruzado. E é nesse texto cheio de “nós” que eu digo: – por isso que eu amo nós.

Enfim, comecei.

Todo ano, mais precisamente em Janeiro, eu escrevo nas minhas metas de começo de ano “ter um blog”, mas acredito que até então eu não tinha algo que me fazia ver sentido nisso, além daquela vontade constante de escrever.

Só agora essa ideia começou a fazer sentido pra mim, talvez por conseguir ver as coisas um tanto diferente agora; tirei a escrita da caixa de obrigação e deixa-a livre.

Tanta gente tentando fugir da rotina, e eu tento ver beleza no inevitável. E é tanta beleza e tanta felicidade que resolvi compartilhar, e fazer desse blog mais do que algo para entreter leitores. Fazer dele um registro, de todo cotidiano que estou vivendo e todo aquele que eu ainda vou viver!

Pode entrar, eu faço café !